segunda-feira, novembro 2, 2026

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POLÍTICA : Dia do Servidor em Vila Velha,Sindicato critica reajuste de R$ 50 em Vila Velha e não descarta greve

Servidores estão há dois anos sem revisão geral anual, afirma Sinfais

O Sindicato dos Servidores Municipais de Vila Velha (Sinfais) planeja mobilizar a categoria em defesa da revisão geral anual (RGA) dos salários e não descarta uma greve geral caso a prefeitura não abra negociações. A estratégia prevê a realização de um abaixo-assinado e, posteriormente, uma assembleia com os trabalhadores. A informação foi dada pelo dirigente sindical Ricardo Aguilar, após o prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) anunciar, nesta quarta-feira (28), o aumento do auxílio-alimentação de R$ 850 para R$ 900 a partir de janeiro.

Segundo Aguilar, a administração municipal não apresentou proposta de reajuste salarial nem justificativas fiscais ou orçamentárias para a ausência de recomposição. O dirigente afirma que os servidores estão há dois anos sem a revisão e estima em aproximadamente 20% a correção necessária para recuperar as perdas inflacionárias acumuladas no período.

O anúncio do aumento do auxílio-alimentação foi feito pelo prefeito em um vídeo direcionado aos trabalhadores municipais. “A partir de janeiro, o auxílio-alimentação será de R$ 900”, declarou Arnaldinho, que também parabenizou os servidores e destacou a contribuição deles para o crescimento da cidade.

Para o sindicato, porém, o acréscimo de R$ 50 no benefício não responde à principal reivindicação da categoria. O presidente da entidade classificou a medida como insuficiente, diante da falta de revisão dos vencimentos, e criticou a condução da política de valorização do funcionalismo. “Mais uma vez, o prefeito está dando migalha para o servidor, porque o reajuste obrigatório que ele devia ter feito já tem dois anos que não faz”, afirmou.

Arquivo pessoal

O dirigente argumenta que a recomposição salarial é necessária para preservar o poder de compra dos trabalhadores diante da inflação. Segundo ele, a estimativa de 20% considera a correção acumulada ao longo dos dois anos sem revisão, embora o percentual ainda precise ser confirmado com dados oficiais.

Ele também associou a falta de valorização dos servidores à relação política construída pelo prefeito com a categoria. “O prefeito devia celebrar quem ajudou ele a se eleger no primeiro mandato, que foram os servidores públicos. E, mais uma vez, assim como ele traiu outros mandatários, ele está traindo o servidor público”, pontuou.

De acordo com a liderança, não há negociação em andamento entre a prefeitura e o Sinfais sobre a revisão salarial. O presidente do sindicato afirma que a administração não apresentou proposta para a RGA nem explicou formalmente ao sindicato os motivos para não conceder a recomposição. “Eles não estão negociando com a gente. Estão ignorando o sindicato, assim como ignoram outras entidades também”, afirmou.

Questionado sobre a apresentação de dados fiscais e orçamentários que pudessem justificar a ausência de reajuste, Aguilar respondeu que o município não forneceu informações à entidade. Segundo ele, a falta de diálogo impede que os representantes dos trabalhadores discutam alternativas com o Executivo. “O prefeito Arnaldinho não está nem um pouco preocupado com o servidor público, com as necessidades dele. É um prefeito hoje extremamente autoritário”, declarou, ressaltando que essa é a avaliação do sindicato.

A revisão geral anual é a principal reivindicação da entidade neste momento. A medida busca recompor o poder de compra dos salários diante da inflação e é distinta do auxílio-alimentação, benefício destinado a contribuir com as despesas dos trabalhadores. Sem perspectiva de negociação, o Sinfais pretende recorrer à mobilização da categoria para pressionar a gestão municipal. O abaixo-assinado deve anteceder a assembleia, na qual os servidores poderão discutir os próximos passos. A possibilidade de paralisação geral aparece como uma alternativa caso as iniciativas não resultem na abertura de diálogo.

Além da revisão salarial, o Sinfais aponta a falta de concursos públicos e o número de cargos comissionados como problemas na estrutura administrativa de Vila Velha. Para Ricardo Aguilar, a ocupação de funções por pessoas indicadas politicamente não substitui a necessidade de ampliar o quadro de servidores efetivos. Ele destaca a área administrativa como um dos setores em que a situação mais preocupa. Segundo o sindicalista, a falta de servidores concursados pode sobrecarregar os trabalhadores que permanecem na estrutura municipal, enquanto cargos de confiança são preenchidos por indicações.

“São cargos de confiança. Então, são cargos feitos por acordos políticos, são nomeados por acordos políticos. Tem alguns cargos técnicos comissionados, mas boa parte é acordo político”, observou. Na avaliação do sindicato, parte dessas funções poderia ser ocupada por profissionais aprovados em concursos públicos. O dirigente argumenta que os servidores efetivos garantem maior continuidade às atividades da administração, enquanto os cargos comissionados são temporários e vinculados à confiança dos gestores.

A entidade considera que a valorização do funcionalismo precisa ir além do aumento de benefícios e incluir recomposição salarial, realização de concursos públicos e respeito aos trabalhadores. O sindicato pretende levar essas demandas à mobilização prevista para as próximas semanas.

Século Diário procurou a Prefeitura de Vila Velha para comentar as reivindicações do Sinfais, a ausência de proposta de revisão salarial, as críticas à política de contratação de comissionados e as denúncias envolvendo servidores da saúde, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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